Thursday, November 23, 2006
ESTAREMOS EXIBINDO DOIS FILMAÇOS DO COLETIVO CACTOS INTACTOS NA NOITE DO DIA 30.
"PALMATÓRIA DO MUNDO" COM:BAYARD TONELLI E GEAN QUEIROZ
Mãe altera inteiramente seu conceito sobre o próprio filho, a quem considerava um maconheiro inútil, depois que ele recebe menção honrosa em um concurso literário.
"TODO PODER AOS POETAS" CURTA DOCUMENTAL FILMADO DURANTE EDIÇÃO DOS VERSOS DA MEIA-NOITE NO ESPAÇO CONTITUIÇÃO.VÁRIOS POETAS DÃO DEPOIMENTOS SOBRE A ARTE E O PODER.COM: CAIRO TRINDADE, ALINE ARTEIRA, GRAÇA CARPES, GLADIS LACERDA, DALBERTO GOMES, DALMO SARAIVA, ETC,ETC.
OS OUTROS NOS VERSOS
Formada no início de 2004, a banda OS OUTROS juntou em sua formação alguns dos melhores músicos do cenário carioca, para juntos tocarem rock n’ roll. Um rock n’ roll próprio, baseado em letra e melodia e bons arranjos; um som visceral, estomacal, urbano, somado a boas músicas com letras e melodias para serem cantadas. Todas as músicas são de autoria da banda.
As influências da banda OS OUTROS variam, de Jovem Guarda a Nirvana, de Radiohead a Bob Dylan, de Beatles a Tom Zé. A banda é formada por Botika (24 anos, ex-vocalista da banda ANEURA) na voz e nas composições; Eduardo Sodré (26 anos, ex-guitarrista da banda Noção de Nada) nas guitarras; Vitor Paiva (24 anos, ex-baixista da banda ANEURA) no baixo e nas composições; Fabiano (também baterista da banda Quinho e os caras) na bateria, e Papel (25 anos, também guitarrista da banda Fazenda Modelo) na segunda guitarra.
CONTATO : (21) 946512-65
thiagovedova@hotmail.com
Tuesday, November 14, 2006
Tuesday, November 07, 2006

III
INEVITÁVEL FLUIR
A trilha da montanha se abriu pra dentro da noite. A lua clareou. O passo acelerou. Acionou a mente pros mistérios de dentro da noite. Só solidão e sons da floresta. Fala comigo. Eu me deixo ouvir e cumpro com as tuas lendas. Compartilho contigo meus anseios de pureza. Tu me põe obstáculos, e eu destemido. Sedento de descobertas e desafios. Aproximar-se do topo. Elevar o espírito. Encontrar-se pleno em estado líquido do corpo massageado pelas corredeiras. Sentir as pedras. Conversar com as águas. Telepatia orgânica da vida. Deixar escorrer toda essa água. Inevitável fluir. Nada impedirá. Nem os avanços daqueles que não escutam a voz da terra. Nem o toque dos parasitas que arrastam-se tentando atravancar os caminhos do fluxo. A correnteza da poesia. Que é pura como a terra. Quando ela consegue ser terra. Enquanto vida fôr. Enquanto sol em flor. E tanto céu de pássaros a festejar voar. Outros a construir seus ninhos. Trabalho minucioso e preciso.

IV
DA ARTE DE SENTIR AS PEDRAS
E nós em nossa cabana aos pés da cachoeira. Reggae contínuo rolando, para satisfazer a todos os ânimos, a todos os seres. Humanos. Extrahumanos. Suprahumanos. Tantos seres invisíveis a nossa volta. É preciso romper as correntes do sonho. É preciso fazer o circuito do parque aquático rasta. Escalar as pedras. Deslizar das pedras. Abraçar, adormecer, despertar, explorar. É preciso simplesmente ser. Deixar a chuva molhar. Vem pra abençoar. Abrir os póros dos pastos em que a mente vagueia e quer descansar. E deitar. E atravessar para os lados ocultos. Abrir as pétalas ao calor. Sentir o peso da gota na folha. Esticar os braços de galhos contínuamente. A responsabilidade de estar inteiro nessa vida. E manter-se. Frutificar-se. Esticar tuas raízes pra lá destes bosques. Expandir-se além dos ossos. A alma é que respira a terra. As impurezas do plano físico não sobrevivem quando a natureza se acende. Nada sobrevive. Tudo simplesmente é.
V
RESVALECENDO ESSÊNCIAS
Santificada seja nossa ousadia de subir montanhas, e buscar outros ares que enalteçam essa nossa existência. Santificado ar. Santificada Taba Pindorama. Santificada clareza, nem que seja numa fagulha de lampejo. Iluminador que seja. As vezes os seres pensam que já viveram tudo. E tudo já se sabe. E tudo se escreveu. E não percebem que sempre há o que se descobrir. Ou re-descobrir. O que estava camuflado no véu da insanidade, o que estava incrustrado nas distâncioas opostas. E formou-se a fila dos infelizes. Mas eu estava longe de lá. Lavando. Escarrando. Escorrendo. Desputrificando. Transparecendo. Descascando. Resvalecendo essências. Odores. Formas. Cores. Orquestra harmoniosa dos sentidos. Sentir. Sentindo. Sem medo. Revelar-se sana-mente. São Salvador de si mesmo. Transgredir o óbvio. Transformar o instante. Na distância necessária a fuga precisa. Ver-se de longe e tão perto do alvo alma. Silêncio. Já não existe pressa de nada. A natureza não tem cartas marcadas.
VI
EXPLORAR OS SALTOS
Os sapos se inflam. Os pássaros dançam. A escuridão fala. A noite canta no ouvido da terra. A cidade é um passado de pesadêlos e castelos construídos sobre os sonhos demolidos. Eu escapo pela porta da saída. Atravesso as colinas. Desarrumo os emaranhados do tempo inerte. Espalho a rotina pelas trilhas incertas. Sigo até os picos. Enquanto a chuva vai lavrando a terra. Escorrendo toda a lama. Desconstruir o corpo. Animal de quatro patas. Explorar os saltos. Ir cada vez mais longe. Deixar o doce fluir dos saltos ao longe. Explorar o doce. Deixar o longe fluir. Sentir o salto. Distanciar-se destas questões de distâncias. Comple-xi-dades cravadas na pele. E coisas de instantes em que nada importa. Esses os que buscamos. Corrente da satisfação. Metodologia do prazer. Vento na inspiração. Se uma hora a cabeça pesar de coisas carregadas. Deixar ela rolar e se encaixar pelas pedras. Esse mundo tá cheio de pedras e coisas carregadas. O melhor é não sentir peso algum.

PLU.PLU.PLU.PLU.PLU
È preciso amanhecer leve e acreditar no mormaço. Deixar a solidão guiar teu passo. É preciso fazer por merecer o sabor do salto para o outro lado. Armado de conspirações de levezas, e purezas, e agradecimentos. Eis que surge. Plu.Plu.Plu.Plu.Plu.
Brota diante dos olhos as mínimas infinitudes e absurdas delicadezas. Tudo em volta respirando. O verde brilhando de alegria. O mormaço. Santificado mormaço. Tá tudo aceso. Deixar o ser sentir seu próprio eu um pouco. Deixar as coisas ganharem sentidos amplos de acasos. Tocar a terra por dentro, e deixar ela te beijar o estômago. Adimirar as vacas. Santificadas vacas, com suas sábias pastagens indiferentes ao milagre. Sentir a luz na ponta dos dedos colorindo o invisível. Ser pedra. No simples ato de tocar qualquer coisa. Ser qualquer coisa. Descobrir todas as belezas secretas de todas as coisas. Abrir os braços, e envolver a imensa microcósmica presença de si mesmo no mundo. A roda está viva. As raízes prolongam-se infinitamente. As cicatrizes nos contam histórias. Raízes e cicatrizes. Restos de montanha em nossos passos. Deixaremos rastros de clarezas. Por dentro. Fluxo contínuo de verdades na veia. Enquanto houver cahoeira, e vaca no mundo, vale a pena acreditar que existe uma saída.
G.Q,
Sana. 04.11.2006