Thursday, July 19, 2007

LONGA VIAGEM DE UM DIA NOITE ADENTRO
Já faz um tempo que estou por escrever algo sobre este verão sueco cheio de flores que insistem em não acreditar que a primavera já passou, algumas já estão murchando e eu não posso descrevê-las fotograficamente com a exuberância perfumada em que me parei a a dmirá-las e a respirá-las em cada esquina em cada janela em que elas derramavam suas cores, agora restam algumas pétalas espalhadas colorindo as calc,adas, e não posso evitar esse arrebatamento esse deslumbre essas rimas pobres no meu escrever repleto de encantamento. Hoje faz sol, um sol imponente, impiedoso, que espalha toda essa luz na tarde sonolenta que se prolongará até quase o fim das horas ignorando a existência da noite. Alguns dias atrás foi Mitsöma, e todos os suecos comemoraram o dia mais longo do ano, quando se pode contemplar o sol da meia-noite, é uma beleza implacável , a ausência de escuridão espalha uma penumbra única e uma energia que leva as pessoas para as ruas como se aquele fosse o último dia na terra, e tudo vai além do meu entendimento e eu me sinto absolutamente confuso e eufórico como se estivesse cheio de ácido numa rave que só terminaria quando finalmente anoitecesse e todos adormeceriam para sempre, um prenúncio de morte, um vislumbre de apocalipse, e é tudo tão belo tão calmo tão divino, que imagino ser assim uma morte por overdose de luz, pequenas doses letais penetrando os olhos e os póros até que uma claridade eterna illumine todos os pensamentos e tudo se torne tão puro e óbvio numa verdade absoluta…e pronto…e fim…Mas a noite veio tardia, e com ela o vento frio, e acendemos as velas e nos abrac,amos e oferecemos nossos carinhos de luva, meus instintos de animal noturno agradecem e deixo-me envolver pelo breu e por milhões de pensamentos absolutamente devassos, minha memória fervilha cheia de pecados, pois foram todos fabricados pelos demônios que me habitam dentro da noite eterna, mas agora eles não estão aqui, e foi tanta luz que estou cego para estes seres todos que me perseguem, o sol apagou toda a podridão e acendeu a faísca do olhar na ponta do dedo de Deus que fura o céu e risca de nuvens a distância embalada pelo vento das lembranc,as, é tempo de viver na claridade dos dias que se prolongam por dentro do sonho, o novo a cada estalo de pálpebras flamejando de beleza, e as velas acesas me trazem a presenc,a de bruxas e outras criaturas mágicas e forc,as invisíveis, e todo esse mistério me enche de vontade de sair voando e abrac,ar a paisagem e engolir o horizonte e dovorar minha própria fome de estar vivo atravesssando esse tempo onde tudo já tão velho tão antigo abre espac,o para que o novo me atropele com a forc,a da natureza que se renova a todo instante, a fudida arrebatadora perfeic,ão da natureza, essa forc,a que vem lá das profundezas da terra e acende tudo de verde em volta e se perde ao longe no voô de um pássaro, e eu aqui sentado colado a este tronco de árvore sendo fuzilado de pensamentos de luz, explosões de cores no meu silêncio cheio de música por dentro do corpo anestesiado, posso ficar aqui escrevendo sem parar e descrever a eternidade através das estac,ões que seguem seu fluxo absolutamente divino num encaixe que vai além de qualquer estudo ou compreensão humana, e sei que todas essas folhas vão ficar amarelas e cair, deixando as árvores nuas e o caminho coberto de um tapete amarelo e depois tudo vai congelar e um manto branco vai cobrir a paisagem e depois de um longo período em que o tempo também parece não passar, finalmente o sol vai voltar derretendo tudo e vai ser uma explosão de cores e sentimentos e tudo vai nascer novamente, novas flores novas folhas e novos amores e novos sonhos, e o sol poderoso na ponta do dedo de Deus ficará cada vez mais presente, ignorando a existência da noite, da escuridão, de meus instintos de animal noturno cheio de podridão, e eu ainda estarei aqui colado a este tronco absolutamente iluminado, cego de tanta luz, vivo dentro da eternidade, morto de perplexidade no encantamento que não permite qualquer descric,ão fotográfica de minha limitada literatura, mesmo que eu fique aqui escrevendo através das horas infinitas…escrevendo…escrevendo…escrevendo…respirando…
escrevendo…respirando…escrevendo…respirando…escrevendo…sem parar nunca…nunca…nunca…nunca…nunca…nunca…


g.q.


2 comments:

Beatriz Tavares said...

Ai, que lindo, Gean! Tomei a liberdade de publicar no meu blogue. Saudadessssss!!!!
Beijos,
Bia

Elimacuxi said...

seus textos me tiram, literalmente, o fôlego! que viagem! que imagens! bom poder contar com vc por aqui...