Thursday, April 26, 2007

Monday, March 19, 2007



VERSOS DA MEIA-NOITE

DO SAGRADO AO PROFANO

DO SAGRADO AO PROFANO, EU VOU…e levo comigo os crentes e descrentes desse mundo mundano. Oh Jesus! Rei dos desgracados, pai dos miseráveis, que vagam pela vida derrotados. Sob o céu ecoa o meu grito, da terra para o infinito, uivo de animais feridos, prostitutas, bêbados, mendigos, filhos mal paridos, pedindo amor a Deus e ao Diabo. Oh Jesus! Rei dos desesperados, te entregarei o Judas queimado, a hipocrisia arde com a minha verdade, o egoísmo em chamas para quem não ama. Nesse cortejo toda ânsia de justica, subindo ladeiras sem nenhum sacrifício, todos os demônios à solta, dancando ciranda em volta do Cristo. Vou nessa festa entre o céu e o inferno, porque tudo acontece nesse mundo, somos vítimas de nós mesmos e por nós mesmos, bravos guerreiros do amanhã. Minhas armas são a arte, a fantasia, o prazer, a rebeldia, combatendo a tristeza nesse Rio de Janeiro, espalho esse clamor pro mundo inteiro. Do sagrado ao profano, eu vou, com sorrisos e flores, apagando as dores e acendendo o amor.

G.Q.

SEXTA-FEIRA SANTA

SANTA TERESA

ESPÍRITO SANTA

23HS



VERSOS DA MEIA-NOITE

APRESENTA ENTRE O CÉU E O INFERNO:

BAYARD TONNELI

IGOR COTRIM

TRIO LOS TRES

MARCELO GIRARD

DENISIS E CAIRO TRINDADE

SHOWS DE:

OS OUTROS

AS DOIDIVINAS

SEXTA-FEIRA SANTA

DIA 6

SANTA TERESA

ESPÍRITO SANTA


VERSOS DA MEIA-NOITE
DO SAGRADO AO PROFANO
SEXTA-FEIRA SANTA
DIA 6
SANTA TERESA
ESPÍRITO SANTA
23HS

Tuesday, March 06, 2007

ESTEJA ONDE SEJA


Eu quero um lugar para estar, onde eu seja o que esteja,e esteja onde seja, um lugar de grandes janelas, com vistas panorâmicas para dentro de mim, onde eu seja o que está a vista, e esteja á vista o que eu seja.
Aberto ao vento, um espaço imenso onde circule o pensamento e ecoe o som do silêncio. Porque mesmo que lá fora o mundo se exploda, o lugar que eu quero está aqui dentro, no centro de onde brota uma flor inventada, no instante do nascimento da inspiração almejada.
Com paredes altas e transparentes , onde as idéias me são sugadas pelas alturas insanas e pelas tramas do vento, que me deixa aqui vivendo de brisa, jogando palavras pelas janelas, nos abismos do tempo.
Eu quero um lugar onde o isolamento esteja cheio de tudo, onde uma catarse me habite no interno de onde existo, tendo em volta o infinito, pra que se contemple, de fora, de dentro, de longe, de perto, sozinho, e o mundo todo junto comigo.

G.Q.






Wednesday, February 28, 2007




DEIXAR ESCORRER TODA ESSA ÁGUA NA ALMA
INEVITÁVEL FLUIR
ENQUANTO HOUVER CACHOEIRA NO MUNDO
VALE A PENA ACREDITAR QUE EXISTE UMA SAÍDA

JASPER - GRAN SABANA - VENEZUELA




VORAZ


COMO SE O TUDO DEVORASSE O INSTANTE
COM SE A NOITE DEVORASSE O TUDO
NA INSANIDADE FAMINTA
DE QUEM ENGOLE A SI MESMO

MASOQUISMO EXISTENCIAL
SOLIDÃO CONTEMPLADA
NA ESSÊNCIA DA FOME

COISA PRA SE GUARDAR NUM SEGUNDO
QUE PASSA PRA IMORTALIDADE
INSACIÁVEL MERGULHO NA ETERNIDADE

EXERCER A VERDADE
COMO SE A MENTIRA NUNCA TIVESSE EXISTIDO
COMO SE TAMBÉM NÃO EXISTISSE O MEDO

DESTRIBUIR ÂNSIAS
DESPERTAR OS SENTIDOS
SENTIR O GOSTO AMARGO DO VENENO
IR CADA VEZ MAIS LONGE

ATÉ ONDE A FOME E O DESEJO APONTE

NUNCA PARAR.




Tuesday, February 27, 2007

DISCURSO DE ABSTRAÇÃO POP


o mundo está desaparecendo aos poucos
entre contornos de intelectos predadores
imagens empastadas da humanidade
imitam uma textura do que nunca existiu

composições figurativas
de almas ilustradas
sob a luz da função renascentista de Deus

orgãos sensoriais proclamam
a inutilidade da arte
na ignorância cubista
de estruturas falidas

espaços estáticos no fim dos tempos
desligam o espírito em planos verticais
numa velocidade vertiginosa e nostálgica
do dinamismo mórbido universal

a auto-suficiência dos pessimistas
ignora o esplendor das criações demolidas

a vanguarda de pensamentos
que nem se esboçaram
vinculados a manifestos futuristas
permitem maior elasticidade e leveza
ao irônico e detalhado processo artístico
de se repintar o mundo em cores vivas

longas paisagens redefinidas
e largos espaços de formas esquecidas




BIENAL

BIENAL

BIENAL DE ARTE DE SÃO PAULO

ART FAST FOOD

Uma cascata de guarda-chuvas desaba do céu, e eu me molho inteiro na alma, enquanto a cidade de açucar se espalha em amarga doçura.
Ferramentas descontroem a realidade, oficina de loucas visões de imagens devoradas pelo sistema.
Pensadores amordaçados nas estantes, revolucionárias idéias nas prateleiras dos açougues imaginários cravados a ferro nas paredes do crânio.
Vestir a plástica deformada pelas novas tendências importadas da semana da moda de plutão e desnudar o espectro de um futuro insano.
Interferir no presente com a mescla dos tempos, ignorando o progresso descontrolado, a caça as bruxas, os conflitos religiosos e os planos mirabolantes de conquistas do universo promovidos pelas organizações criminosas dos cartoons e pelos inimigos de 007.
O cenário gira em torno da paisagem, e a plataforma de sonhos impossíveis ergue-se no vazio.
Restos de fantasias, alegorias da destruição, rituais de desorientação em massa nas salas de reuniões dos artpolíticos reacionários.
Enormes formas alternativas de vida formam-se na mente do artista em desespero escapista.
O sistema industrial da selva de pedra, ainda selvagem, consequência da revolução do desasatre inevitável, tenta inutilmente unir os opostos em barreiras intransponíveis.
Ícones do inferno dançam em nuvens de arame, exibindo seus corpos deformados por perfurações, tatuagens, alargadores, e outros infinitos acessórios de tortura e prazer, adiquiridos nos sex-shops da industría pornô fetichista do demo.
Frases imprevisivelmente óbvias brotam nas telas planas de plasma, letras misturadas no espaço mídia do caos.
Arquitetura do vácuo mental, girando em torno do nada.
Assistimos a tudo desconfortavelmente, devorando alimentos conceituais nas galerias de fast food das feiras de idéias intoxicadas pelo excesso de nexo.




Ó O TEXTO QUE RECEBI DO CHACAL ESTES DIAS....TÔ CHOCADO!!....VALEU COMPIS!!

gean querido queirós,

o gean me emociona sempre. seu jeito elegante, sua manha, seu verbo cortante, afiado. o gean me encanta como um romântico que mistura a vida ao verbo, como um rimbaud, um kerouac, um ginsberg, um torquato. gean vem de longe, de uma mata primeva e se encanta com as luzes da cidade que decifra e entende seu feitiço, seu brilho mortiço, a angústia de seus faróis pisca piscando na noite veloz. salve gean marinheiro do asfalto, sibilosa criatura a se esgueirar entre os lapões. criador do lendário “versos da meia noite” no coração da putaria, com suas luzes vermelhas e seus imagens sanguíneas. cem vezes gean que com sua urgência de viver e ser livre, de gozar e ser querido, se joga na vida como um tigre de unhas pintadas e boca escorrendo mel. vai gean, desafiar a polícia dos costumes paralisantes, desembarrerar os canais de energia da corrente eletrosangue dessa cidade que já foi um dia. vai gean, levar vida em forma de ginga e gíria, em forma de verso e prosa para quem tá precisando, para quem quer se encontrar, para quem ta precisando se encontrar. você é o farol da rua larga, o dragão da boca maldita, o luxo na boca do lixo. você é o bicho

chacal – 8/2/2007
MATA ADENTRO......AMAZÔNIA NA VEIA!!!!!!!!


aqui colhendo material para novos poemas de água doce, declamando versos para os botos do rio branco, admirando a serra grande no fundo....ô vidinha!!!!!!!

Thursday, November 23, 2006

CACTOS INTACTOS NOS VERSOS DA MEIA-NOITE

ESTAREMOS EXIBINDO DOIS FILMAÇOS DO COLETIVO CACTOS INTACTOS NA NOITE DO DIA 30.

"PALMATÓRIA DO MUNDO" COM:BAYARD TONELLI E GEAN QUEIROZ
Mãe altera inteiramente seu conceito sobre o próprio filho, a quem considerava um maconheiro inútil, depois que ele recebe menção honrosa em um concurso literário.

"TODO PODER AOS POETAS" CURTA DOCUMENTAL FILMADO DURANTE EDIÇÃO DOS VERSOS DA MEIA-NOITE NO ESPAÇO CONTITUIÇÃO.VÁRIOS POETAS DÃO DEPOIMENTOS SOBRE A ARTE E O PODER.COM: CAIRO TRINDADE, ALINE ARTEIRA, GRAÇA CARPES, GLADIS LACERDA, DALBERTO GOMES, DALMO SARAIVA, ETC,ETC.

FIGURASSAS, QUERIDOS DE TODOS, ANTONIO GUTTMAN, REYNALDO SANCHEZ E FERNANDO SÁ, ESTARÃO "PAGANDO MICROS"
NOS VERSOS DA MEIA-NOITE.

OS OUTROS NOS VERSOS

Formada no início de 2004, a banda OS OUTROS juntou em sua formação alguns dos melhores músicos do cenário carioca, para juntos tocarem rock n’ roll. Um rock n’ roll próprio, baseado em letra e melodia e bons arranjos; um som visceral, estomacal, urbano, somado a boas músicas com letras e melodias para serem cantadas. Todas as músicas são de autoria da banda.
As influências da banda OS OUTROS variam, de Jovem Guarda a Nirvana, de Radiohead a Bob Dylan, de Beatles a Tom Zé. A banda é formada por Botika (24 anos, ex-vocalista da banda ANEURA) na voz e nas composições; Eduardo Sodré (26 anos, ex-guitarrista da banda Noção de Nada) nas guitarras; Vitor Paiva (24 anos, ex-baixista da banda ANEURA) no baixo e nas composições; Fabiano (também baterista da banda Quinho e os caras) na bateria, e Papel (25 anos, também guitarrista da banda Fazenda Modelo) na segunda guitarra.

CONTATO : (21) 946512-65
thiagovedova@hotmail.com

Tuesday, November 14, 2006

VERSOS DA 1/2 NOITE
THE BOSTA OF
30/11
QUINTA
23HS
É NÓS NA LETRA
PATRÍCIA CARVALHO OLIVEIRA,OS INFAMES, RATOS DI VERSOS, CEM VEZES QUINTANA, BAYARD TONNELI, GRAÇA CARPES,MOVIMENTO IN VERSO, FILÉ DE PEIXE,TRI LOS TRES,ALINE ARTEIRA, LEPREVOST, IGOR COTRIM...
É NÓS NO SOM
OS OUTROS
DOIDIVINAS
É NÓS NA FITA
CACTOS INTACTOS
CINE POEMA
(GIBSON&TAVINHO PAES)
PINTURAS
RODRIGO TORRES
JÁ É
FOSFOBOX
RUA SIQUEIRA CAMPOS,143,COPACABANA
ATÉ 00HS R$8 - APÓS OOHS COM FLYER R$10 - SEM FLYER R$15

Tuesday, November 07, 2006

FUGA POSSÍVEL

I
RIO DE MIM, CACHOEIRAS E OUTRAS ÁGUAS
Todo mundo debilmente satisfeito na área. Qualquer coisa tá valendo. Se queimando na luz da lua. Ouvindo o concerto da natureza para solos de cachoeiras. Sonoplastia cyber de grilo. Ruídos de cigarra. Cortes de ventos distantes. Acessos de pássaros. Sutil delicadeza arrebatada por surtos de clareza sensorial. Alô meu Rio, peguei o fluxo da corredeira, tô surfando em outras águas. Rio de mim agora. Tô distante, mas não tô por fora. Tô desatando nós, amarradão, aqui no meu lounge de colchão, e vela, e amigos, e fumaça contíííííínua se misturando a neblina. Não adianta insistir. Hoje eu só saio daqui, se fôr pra mais ali. Pode encher tua piscina, só não mexe na minha bacia. Alô Sana. Alô cachoeira. Alô quarta-feira. Eu vou botar a cama lá fora, só grama, e sombras noturnas despertas. Só anoitece bem quem sabe aproveitar o dia.
II
DEIXAR-SE INVADIR
É preciso subir pelas trilhas incertas da madrugada. E sentir o caminho no peito. È preciso saber chegar com respeito. È preciso um sono de séculos, para apagar o lixo e acordar cheio de sol. È preciso atravessar as sete quedas, e saltar do alto do PAI, e deslizar pra dentro da Mãe, a divindade da montanha, na nascente de todos os seres. As árvores também derraman-se em saltos coreográficos através dos tempos. E que venha toda essa água, e toda essa perfeição pra alma do mundo. Enquanto não faltar. Enquanto deserto não há. Não é mole não. Tem que se permitir ousar. Muda essa música meu irmão. Tem que harmonizar. Vou te contratar como barman de acampamento. Aí, posso falar? Veio maninho aí botou um gás, só vai rolar rango abençoado. È tudo um hino, da terra, da beleza. Cadê o refrão? Deu só uma bicadinha,nem provou direito, tá bom pra caralho, tá tudo perfeito. Você ta vendo aquela porta aberta ou fechada? Deixa invadir. È a lei da mata. E o verme? Tá na mente.



III
INEVITÁVEL FLUIR

A trilha da montanha se abriu pra dentro da noite. A lua clareou. O passo acelerou. Acionou a mente pros mistérios de dentro da noite. Só solidão e sons da floresta. Fala comigo. Eu me deixo ouvir e cumpro com as tuas lendas. Compartilho contigo meus anseios de pureza. Tu me põe obstáculos, e eu destemido. Sedento de descobertas e desafios. Aproximar-se do topo. Elevar o espírito. Encontrar-se pleno em estado líquido do corpo massageado pelas corredeiras. Sentir as pedras. Conversar com as águas. Telepatia orgânica da vida. Deixar escorrer toda essa água. Inevitável fluir. Nada impedirá. Nem os avanços daqueles que não escutam a voz da terra. Nem o toque dos parasitas que arrastam-se tentando atravancar os caminhos do fluxo. A correnteza da poesia. Que é pura como a terra. Quando ela consegue ser terra. Enquanto vida fôr. Enquanto sol em flor. E tanto céu de pássaros a festejar voar. Outros a construir seus ninhos. Trabalho minucioso e preciso.




IV
DA ARTE DE SENTIR AS PEDRAS


E nós em nossa cabana aos pés da cachoeira. Reggae contínuo rolando, para satisfazer a todos os ânimos, a todos os seres. Humanos. Extrahumanos. Suprahumanos. Tantos seres invisíveis a nossa volta. É preciso romper as correntes do sonho. É preciso fazer o circuito do parque aquático rasta. Escalar as pedras. Deslizar das pedras. Abraçar, adormecer, despertar, explorar. É preciso simplesmente ser. Deixar a chuva molhar. Vem pra abençoar. Abrir os póros dos pastos em que a mente vagueia e quer descansar. E deitar. E atravessar para os lados ocultos. Abrir as pétalas ao calor. Sentir o peso da gota na folha. Esticar os braços de galhos contínuamente. A responsabilidade de estar inteiro nessa vida. E manter-se. Frutificar-se. Esticar tuas raízes pra lá destes bosques. Expandir-se além dos ossos. A alma é que respira a terra. As impurezas do plano físico não sobrevivem quando a natureza se acende. Nada sobrevive. Tudo simplesmente é.


V
RESVALECENDO ESSÊNCIAS


Santificada seja nossa ousadia de subir montanhas, e buscar outros ares que enalteçam essa nossa existência. Santificado ar. Santificada Taba Pindorama. Santificada clareza, nem que seja numa fagulha de lampejo. Iluminador que seja. As vezes os seres pensam que já viveram tudo. E tudo já se sabe. E tudo se escreveu. E não percebem que sempre há o que se descobrir. Ou re-descobrir. O que estava camuflado no véu da insanidade, o que estava incrustrado nas distâncioas opostas. E formou-se a fila dos infelizes. Mas eu estava longe de lá. Lavando. Escarrando. Escorrendo. Desputrificando. Transparecendo. Descascando. Resvalecendo essências. Odores. Formas. Cores. Orquestra harmoniosa dos sentidos. Sentir. Sentindo. Sem medo. Revelar-se sana-mente. São Salvador de si mesmo. Transgredir o óbvio. Transformar o instante. Na distância necessária a fuga precisa. Ver-se de longe e tão perto do alvo alma. Silêncio. Já não existe pressa de nada. A natureza não tem cartas marcadas.

VI
EXPLORAR OS SALTOS

Os sapos se inflam. Os pássaros dançam. A escuridão fala. A noite canta no ouvido da terra. A cidade é um passado de pesadêlos e castelos construídos sobre os sonhos demolidos. Eu escapo pela porta da saída. Atravesso as colinas. Desarrumo os emaranhados do tempo inerte. Espalho a rotina pelas trilhas incertas. Sigo até os picos. Enquanto a chuva vai lavrando a terra. Escorrendo toda a lama. Desconstruir o corpo. Animal de quatro patas. Explorar os saltos. Ir cada vez mais longe. Deixar o doce fluir dos saltos ao longe. Explorar o doce. Deixar o longe fluir. Sentir o salto. Distanciar-se destas questões de distâncias. Comple-xi-dades cravadas na pele. E coisas de instantes em que nada importa. Esses os que buscamos. Corrente da satisfação. Metodologia do prazer. Vento na inspiração. Se uma hora a cabeça pesar de coisas carregadas. Deixar ela rolar e se encaixar pelas pedras. Esse mundo tá cheio de pedras e coisas carregadas. O melhor é não sentir peso algum.




VII

PLU.PLU.PLU.PLU.PLU

È preciso amanhecer leve e acreditar no mormaço. Deixar a solidão guiar teu passo. É preciso fazer por merecer o sabor do salto para o outro lado. Armado de conspirações de levezas, e purezas, e agradecimentos. Eis que surge. Plu.Plu.Plu.Plu.Plu.
Brota diante dos olhos as mínimas infinitudes e absurdas delicadezas. Tudo em volta respirando. O verde brilhando de alegria. O mormaço. Santificado mormaço. Tá tudo aceso. Deixar o ser sentir seu próprio eu um pouco. Deixar as coisas ganharem sentidos amplos de acasos. Tocar a terra por dentro, e deixar ela te beijar o estômago. Adimirar as vacas. Santificadas vacas, com suas sábias pastagens indiferentes ao milagre. Sentir a luz na ponta dos dedos colorindo o invisível. Ser pedra. No simples ato de tocar qualquer coisa. Ser qualquer coisa. Descobrir todas as belezas secretas de todas as coisas. Abrir os braços, e envolver a imensa microcósmica presença de si mesmo no mundo. A roda está viva. As raízes prolongam-se infinitamente. As cicatrizes nos contam histórias. Raízes e cicatrizes. Restos de montanha em nossos passos. Deixaremos rastros de clarezas. Por dentro. Fluxo contínuo de verdades na veia. Enquanto houver cahoeira, e vaca no mundo, vale a pena acreditar que existe uma saída.



G.Q,
Sana. 04.11.2006