Wednesday, June 18, 2008
Tuesday, June 17, 2008
g.q.
Monday, June 09, 2008
g.q.
Wednesday, June 04, 2008

I
Três artistas
desafio
fronteiras do pensamento
compartilhar imensas partículas de verdade
estímulos
criação
descobrir a verve do entendimento
crescimento
atingir
o topo do imprevisível
segurar na mão do invisível
estar junto
instante pleno
delírio que aponta o alvo
dispara
o tempo todo é o momento presente
a arte de estar vivo
a necessidade
de recriar o real
estar junto é uma benção
a liberdade
uma canção
o som do sentimento
carícias de tempestade
II
ato
existir fora de
minha mão canta o outro
estar longe de si
montar barreiras no campo
abrir as pernas
agir
meu rosto vento
algo que se perde
assisto espelho
rastro de pelo no ar
encontro
você
111
você quer dizer o tempo exato
onde acontece todo atrito.
Estamos antes da faísca e depois da facada
antes do bebê fora e depois
na buceta
sobrevivemos na tentativa de aceitar impossibilidades
ninguém no corpo de ninguém
tudo um sinistro organismo que nao se reconhece
cortar cabelo
roer unha
abrir ferida
aparar pedaços..........................
tudo isso
o combustível da implicância inevitável de estar vivo
Gean Queiroz, Ericsson Pires e Botika
Tuesday, June 03, 2008

O que vai ser de nós dois?
me encara o antes
me pergunta o agora
o que vem no depois
o antes, o agora e o depois
tudo junto nesse instante
em que nada é como deveria ser
e o que é já não sei
o que foi ainda grita de longe
e o que virá a ser ninguém sabe
a espera pelo que talvez cairá do céu
não conforta em nada a alma
e o tentar correr atrás
faz tudo parecer tarde demais
passado, presente e futuro
tudo junto no liquidificador do coração
decidir a vida com as mãos atadas
um nó na garganta
e um punhal apontado pro peito
buscar as respostas jogadas no lixo
remexer os cantos escuros
e só enxergar a luz bem distante
quase inalcançável
ficar aqui martelando sentimentos
na escuridão do pensamento
que não encontra saída
de olhos abertos não te vejo
mas quando os fecho você está por todo lado
de que serve amar sem tocar?
de que serve sofrer sem saber
se vale a pena esperar?
construímos castelos no invisível
plantamos sementes demais
as raízes se espalham por dentro de nós
sinto meu corpo todo explodir
e de nada adianta fugir
ou cuspir pra fora essa angústia
a que se entender o organismo
da incapacidade de se decidir o que sentir
pois tudo segue crescendo continuamente
engasgando a gente de tanta saudade
mastigando os órgãos do corpo sem piedade
não existe freio, só existe o tempo
uma espera estúpida e frustrante
uma porrada na cara do amor
um soco no estômago de nossos sonhos
foi isso que a gente plantou?
Que estrada é essa que a gente pegou?
Engolir a distância a seco
secar as lágrimas
deixar escorrer todo desejo pelo ralo
tudo escapando por entre os dedos
o antes embriaga
o agora cega
e o depois...
só pergunta sem parar
o que vai ser de nós dois?
Monday, June 02, 2008

quantas vezes
eu me canso de mim mesmo
as vezes duram meses
as vezes anos
muitos anos duram esses
meses quase tantos
que as vezes
eu me esqueço
de mim mesmo
em algum canto
e quando eu vejo
eu me espanto
do meu esquecimento
naquele momento
e as vezes eu penso
que eu entendo
aí eu me canso
do meu pensamento
as vezes duram dias
as vezes semanas
muitas semanas duram esses dias quase tantos
que as vezes eu me levanto
e me esqueço que eu me canso
de ficar esquecido num canto
aí eu me lanço
fora do tempo
levado por um vento
que as vezes é lembrança
outras esquecimento
as vezes duram alguns segundos
poucos esses
que me fazem voar
pelo espaço
as vezes
quantas vezes
eu vou fundo
dentro de mim
fora do mundo.
g.q.
Sunday, June 01, 2008

o som do jazz
o mundo aos nossos pés
tudo ao alcance das mãos
idéias rolando pelo chão
carências se dissolvem sob a chuva
a gente rege a tempestade
direciona cada raio
de olhar
magnetiza a existência
eterniza o instante em versos
o imprevisível fluir de cada gesto
a fumaça sumindo no ar
a cadeira suspensa que gira
o som do pensamento
inevitável deixar-se ir
corredeiras da alma
simplesmente sentir
sem medo de errar o alvo
gosto dessa calma
de estar aqui
com fome de tudo
e a certeza de poder esticar o braço
e alcançar a fonte
entregar o ouro
e fincar raízes no impossível
quando acabar a gravidade
vamos planatar sementes
na imensidão
gean queiroz e beatriz provasi
domingo chuvoso, no inverno do rio de nós dois