Saturday, May 23, 2009

EFAVIRENZ

Meus pesadêlos são tão divertidos
passeando por caminhos escuros com meus inimigos
eu ouço insultos e gritos
ando sorrindo pra enganar a dor
meus passos me arrastam pelo asfalto
alguém se agarra aos meus pés
rasgam minhas roupas
arrancam meus cabelos
minha cabeça rola ladeira abaixo
submundo da minha mente
um piano bêbado me acompanha
numa doce melodia de ruídos insanos
que ninguém ouve ninguém sente
Deus me espera lá em baixo
ele está tão triste
que que há amigo? Não fique assim
isso é só uma noite ruim
amanhã tudo pode estar pior
sofrer é tão glamoroso
altos edifícios com grandes janelas pra saltar
tantas drogas pra tomar
meus pesadêlos são super coloridos
saio andando sobre os trilhos engolindo trens
canhão de luz na minha alma
dançarinos flamencos pisoteiam multidões
corpos sangram manchando tudo de vermelho
tantas estrelas cintilantes
cacos de vidro pelo céu
milhões de fracassos refletidos
sonhos partidos cortam minha pele
estou um trapo, eu sou um rato
deslizo no breu que apareceu
meus fantasmas estão sempre comigo
atravessamos as paredes
e assistimos suicídios, loucas trepadas, algumas broxadas
pedofilia, demências, castigos
masoquismo é tão divertido
humilhação sem culpa
submissão sem medo
escravos e dominadores, todos irmãos
Aleluia! Aleluia!
Beijo os pés de Jesus
cuspo na cruz
sento no colo do diabo
e acordo de pau duro.

G.Q.

Saturday, May 09, 2009

Para ver todas as fotos da última edição dos Versos da Meia-noite entre aki:





Betina kopp , Igor Cotrim e Melina - caprichando no carão






Friday, April 17, 2009


"...eu sou como eu sou / pronome pessoal intransferível do homem que eu iniciei na medida do impossível..." Torquato Neto
"a poesia torna visível o invisível" G.Q.

"onde foi parar a poesia desta realidade? Aonde está a magia?" G.Q.
"a arte é a vida , a fantasia é a única realidade" G.Q.

Tuesday, April 14, 2009

"...Uma vez de manhã cedo
manhã de sentidos e luz.
Não havia entre ti e o mundo,
nem névoas nem véus.
O céu era incompreensível como agora,
talvez mais alto mas não tão distante..."
Werner Aspenstrom
VIVER SONHAR
ANDAR TOCAR
SORRIR FALAR
SENTIR VIVER
AMAR SONHAR
ANDAR FALAR
SORRIR OLHAR
OLHARAMAR
AMAROLHAR
TOCAR
SENTIR
VIVER
SONHAR
Descortinar o véu da insanidade da retina
Desmistificar os mitos da irracionalidade
Equívocos inabaláveis da realidade
Brincar com o silêncio sem temer o grito
Desembaralhar o vento no pensamento
Sanar a mente montando a serpente
Desbravar as planícies encantadas do caos
Nada de mal ou sujo sobreviverá
Quando os canais do fluxo avançarem na contra-mão dos erros
E os medos serão dissipados
Na correnteza de nossos passos destemidos
Saltando obstáculos por entre as pedras vivas da cachoeira
Entoando cânticos de versos incontestáveis
Deixar ecoar
Deixar escorrer
Deixar molhar
Deixar desputrificar
Que as águas límpidas da vitória
Nos banhe os olhos de coragem e glória.


Gean Queiroz
abril-Rio 2009

Tuesday, August 19, 2008

POETA REPLETO DE SOL
EU CONTABILIZO A TARDE
EM HORAS VASTAS
TEMPO GANHO
HORIZONTES LARGOS
SORRISOS AMPLOS

O POETA É XAMÃ
TRADUZINDO OS PRECÍPICIOS DO SER
EM IMAGENS FOTOGRAFADAS NA RETINA
CONSTRUINDO ORGANISMOS DE PALAVRAS
DO QUE SE VÊ
NO QUE SE SENTE

O POETA FAZ DO CALOR
SENTIMENTO PALPÁVEL
NO OLHO DO FURACÃO DO PEITO.

Saturday, August 16, 2008

ESTRADAS, ABISMOS E CORREDEIRAS
MADRUGADA QUE VAI
MANHÃ QUE VEM
A ESTRADA DO PEITO ABERTA
RUMO A SERRA DO TEPEQUEM
NÓS OS DESPERTOS
PRONTOS PARA DEVORAR O DIA
NA FOME DE AMANHECER
ANTES DO FIM DAS HORAS
ANTES DO TEMPO DOS ANIMAIS ADORMECIDOS
ONDE O CAMINHO SE ESTENDE NO OLHAR ACESO DE TANTO VERDE
O CONFORTO DE SER SOZINHO E SEGUIR JUNTO
ESTAR PRESENTE COM O PASSADO NOS OMBROS E O INFINITO À FRENTE
SEM NADA A ESCONDER DIANTE DO SOL
NADA A TEMER NA BEIRA DO ABISMO DE SER
DESBRAVADORES DA ESTRADA ABERTA
PEITO PULSANTE DE LEMBRANÇAS
ATIRANDO LONGE O PENSAMENTO
NA ESPERANÇA DE DESVENDAR
OS MISTÉRIOS DO TEMPO
QUE ENGOLE TODO O SENTIMENTO
MAS QUE NUNCA IRÁ APAGAR O QUE FICOU

ATRAVESSAR AS DISTÂNCIAS
PERCORRER TODOS OS QUILÔMETROS NECESSÁRIOS
PRA QUE AS RESPOSTAS BROTEM NO HORIZONTE
CRUZAR AS PONTES, OS OBSTÁCULOS, OS RECEIOS
AFIRMAS OS LAÇOS
SEMEAR SORRISOS
BEBER OS RAIOS DE LUZ
SUBIR ATÉ O TOPO DA SATISFAÇÃO
DEIXAR A IMENSIDÃO VERDE
EMBALAR DE ACEITAÇÃO O INSTANTE
NO FIRMAMENTO DE UM ABRAÇO
ENGOLIR AS MONTANHAS
E DEIXAR A CACHOEIRA CORRER POR DENTRO DO CORPO
LIMPANDO AS VEIAS, OS PÓROS, O ROSTO
DE TODA CASCA QUE AS ANGÚSTIAS
TENTARAM ENCRUSTRAR
DESLIZAR O SONHO PELAS CORREDEIRAS
QUE ACARICIAM A ALMA
CRUZAR O LAVRADO FEITO UM TAMANDUÁ
FLUINDO PRA DENTRO DA ETERNIDADE.


GEAN QUEIROZ...RORAIMA...SERRA DO TEPEQUEM...2008

FRONTEIRAS, DELÍRIOS E HORIZONTES


I
CACHOEIRA DE MIM
CORRENTEZA DO MUNDO
FLUXO DA SABEDORIA
DESLIZANDO PRA DENTRO DA ALMA
O ESTÔMAGO DA TERRA
O PENSAMENTO ORGÂNICO
A FOME
O DESLUMBRAMENTO
ETERNA CRIANÇA
QUE BRINCA DE CONGELAR O TEMPO
A CADA FRAGMENTO DE EXISTÊNCIA
SIMPLESMENTE DEIXAR-SE IR
INOCENTE E ENTREGUE
AO ACASO.

II

PEDRAS
TUDO SÃO PEDRAS AO SOL
TUDO É SOL
TUDO É PEDRA
RASGANDO OS CAMINHOS AO MEIO
ESPALHADAS NAS MONTANHAS
MONTANHAS SÃO CAMINHOS PARA AS ALTURAS
PEDRAS, CAMINHOS, ALTURAS
HABITADAS POR ANIMAIS SOLITÁRIOS
SENHORES DA TARDE
IRMÃOS DO CALOR
OS OLHOS SE LANÇAM
AS PALMEIRAS DANÇAM
OS TAMANDUÁS POSAM
PARA A RETINA DA BELEZA
TAMANDUÁS SÃO BELEZAS
QUE DESAFIAM A RETINA
DIONISÍACA ORGIA DO ABSURDO
AO ALCANCE DOS DEDOS
NO OLHO DO FURACÃO
O TURBILHÃO DA MENTE
SERPENTES
PEDRAS
BICHOS
GENTE
SOMOS TUDO ISSO
E O ISSO É TUDO
O TUDO É O QUE SOMOS
O QUE HÁ É ISSO
SOMOS O QUE HÁ
O QUE HÁ É TUDO.

III

BURACOS NA ESTRADA
SÃO PORTAIS PARA O ÚTERO DA TERRA
O SOL NAS MONTANHAS
SÃO ESPELHOS DA PERFEIÇÃO
JOGADA NA CARA DO SEGUNDO
FULLGÁS, ETERNO
O SEGUNDO FICA
OS BURACOS PASSAM
O SOL É UM PORTAL
NO BICO DO PEITO DA MONTANHA
OLHA SÓ O SOL
O SOL SÓ
NO BICO DO PICO DO TOPO
A MONTANHA FICA
OS PENSAMENTOS PASSAM
A MENTE É UM PORTAL
NO BICO DO PICO DO TOPO DO ENTENDIMENTO
CONTEMPLAR JÁ BASTARIA
ENTENDER ENTÃO
É DIVINO.

Gean Queiroz...fronteira Brasil/Venezuela...2008

Tuesday, August 05, 2008

GO BACK CABOCLO
O PRIMEIRO POEMA DE VOLTA PRA CASA
o cheiro de casa
cruza a distância
sobre um céu de breu
que adentra as narinas
sufocando de lembranças
o semblante adormecido
do menino que já não há
o que foi, enterrei no quintal
e fui pra bem longe montado num camaleão
por muito tempo
senti o odor dos cajus apodrecidos
impregnado em meus dedos
como feridas a me corroer os ossos
e não entendia porque tudo era tão estranho
ou se o estranho era eu
até conseguir entender e aceitar
que o perfume do passado
é necessário pra vida
é tatuagem na alma
é cafuné de cachoeira
é grito que explode no salto do alto do barranco
pra dentro do rio
fluxo da correnteza
que me traz de volta
na certeza
de que é nessa horta
que se prolongam minhas raízes

a lua do céu de minha infância
é tão grande
que dá medo lembrar
e os fantasmas no escuro da casa na árvore
os gritos de meu pai
o tiro no meu cachorro doente
que não vi
mas ecoou durante anos
corri na direção oposta
seguindo as trilhas dos tamanduás e dos cavalos selvagens
saí espalhando livros e discos e filmes pelo caminho
sumi por dentro de mim
e só voltava se fosse pro colo de minha mãe
pra onde vou agora
pra companhia daquele eterno amigo
o mais lindo de todos
que nunca foi meu como eu quis
mas que talvez por isso mesmo
existe até hoje
ainda na minha rua
e a mesma cumplicidade de bichos indomados
apesar de toda a diferença
não engoli os sapos amigo
demos choque neles
jogamos pedras nos telhados
arranhamos os carros
roubamos as revistas
tocamos todas as companhias
e eu assisti de camarote você espancando os fracotes
e comendo todas as menininhas
mas fui eu que ensinei as sacanagens
pra todos os amiguinhos da vizinhança
menos pra você
que já sabia tudo e escolheu seu próprio caminho

deslizamos juntos pela madrugada
cheios de fúria e curiosidade descontrolada
destilamos poemas
ao som de The Doors
e abrimos as portas da percepção
descobrindo todos os segredos da escuridão
e a revolta tornou-se guia
o ódio a tudo nos fez companhia
e eu voei pra bem longe montado nas asas de um urubu
e vi que o mundo cheira a podre em qualquer lugar
tudo está impregnado de lixo
os rios de lá estão muito mais sujos
a coisa lá ta preta
e aqui tudo é verde
tudo é mato
a lama daqui
é de frutas no quintal
de longe se vê melhor
o que já não há
mas que ficou
vivido e marcado
e que jamais será esquecido
o bom filho a casa retorna
no chão de minha terra minhas feridas vou curar
o uivo do caboclopunk vai voltar a ecoar.


G.Q...Boa Vista / Roraima...julho...2008

Sunday, July 20, 2008


lá vem ela ou ele ou aquilo
objeto humano ou extraterrestre
ser isento de definições de gênero
caminhando serelepe saudando a plebe
com seu traje de lycra amarelo
um anti-herói no cartoon da madrugada
apenas mais um exagero de síntese do grotesco
feito a fancha bêbada na sua discussão eterna
com sua vítima entediada
ou a outra que caminha trôpega
desfilando vulgaridade explícita
na sua embriaguez exibicionista
cumprimenta a todos com tapinhas de cumplicidade
que numa resposta um pouco mais forte
a derrubaria mais adiante
o rapaz de olhos e passos vidrados
parece ter encontrado uma vítima
e depois de uma curta negociação
parte acelerado rumo a não sei onde
e volta atrasado mais bem sucedido
encontrando seu cúmplice inquieto no décimo cigarro
e entregando-lhe o conteúdo esperado num gesto rápido
fica por ali a espera do próximo vôo até o morro
os comparsas moradores da rua
agem juntos na sua mendicância eficaz
expondo ao máximo suas fraturas sem comover ninguém
vencem pelo cansaço e acumulam lucros
que serão empregados num amanhecer
cheio de sol e cachaça nas areias da praia
as bichas velhas caminham famintas e ignoradas
as afetadas espalham risadas histéricas
as malhadas assistem a tudo de cima
exibindo seus carões e músculos
sem dar trela às velhas e as afetadas nem ninguém
terminarão a noite masturbando-se
com consolos gigantes enfiados no cu
as únicas que saem ganhando sempre são as gringas
que investem caro, mas gozarão divinas
enrabadas por um ou dois garotos de programa
e além de prazer receberão de brinde um vírus qualquer
a polícia não podia faltar no circo
e arma sua barricada de extorsão
iluminando a passarela dos animais noturnos
com suas sirenes pós-modernas
rose bombom acena para eles
e parte acelerada no seu táxi rumo a baixada
provavelmente cheia de cocaína escondida em baixo do saco
depois de mais uma noite de bizarrices
que eles chamam de show no palco da le boy
os que chegam a essa hora passam direto para o darkroom
buscando prazeres rápidos com suas bocas nervosas
mãos frenéticas e gélidas carnes flácidas
uma cena em cada esquina
a favela crescendo por trás do túnel
a lua espalhando seus fluídos mais nefastos
penetrando os sentidos dos seres mais suscetíveis
entregues a todos os impulsos e a qualquer novidade
é só mais uma noite tranqüila no reduto gay de Copacabana
o mendigo acende a bagana
a puta cheira a última carreira
eu fecho a conta
e subo pro 209 do Bronx para eternizar a noite nestas linhas.

esse trecho sinuoso entre tuas pernas
reduz minha velocidade
descendo lentamente pelas curvas do teu corpo
deslizando pela pista a vontade
retorno mais adiante
entradas e saídas
várias vias
atenção
curva perigosa
não se perca no atalho
mas se atire nas descidas
o caminho se estende
até onde a seta, a língua e o dedo aponte
louca rodovia de desejos
queimando a pele no asfalto quente.

Saturday, July 19, 2008


com o olhar perdido, visualiza-se no breu a frente somente o instante presente, o vazio dos impulsos apodrecidos, de passos inconsequentemente desnecessários, que te levam através de instintos desconhecidos e incontroláveis, e te dominam na sede obscena de que algo intenso aconteça. dominados por gemidos, uivos, palavrões, suor, bocas nervosas, mão frenéticas, com a mente anestesiada, e o corpo mecanicamente entregue a perversão doentia, no toque que invade e agride, devastando qualquer pureza, destruindo qualquer desejo espontâneo e sincero… a escuridão te engole pelos testículos.

vagar incansavelmente pelas veias da cidade, seres sonâmbulos, sem nenhuma motivação além de sugar toda a química da madrugada, flutuando sobre qualquer racionalidade, cuspindo sobre as cabeças dos caretas, entregues a mais fútil casualidade, atirando aonde o alvo se mostre e o desejo aponte.

variadas poções de misturas alcoólicas, essências de transpirações corporais, odores de cavidades e becos escuros, sabores deliciantes, mágica venenosa do animal humano que desperta para uma caminhada de caça ao êxtase, que vive entorpecido de ego, em absolutas e tortuosas verdades, entre claras e iluminadas viagens.

de longe se escuta uma música bêbada, alguém sorri desesperadamente, e todos fingem manter tudo sob controle, entre palavras forjadas e passos sem direção, olhos tentam pular fora das órbitas, na ânsia muda de dizer algo, ou engolir tudo. garotas de mãos dadas, cúmplices sedutoras desfilando sexo, rapazes famintos engolem às vezes a si próprios, na carne que arde a qualquer toque, e elas por sua vez se acendem umas as outras, mantendo-se acordadas por mais tempo. e onde o tesão se abrasa, e ferve, tudo se mistura, na louca descoberta de inúmeras possibilidades.

o que nunca deveria existir, era o que estava vivo, era o que surgia na luz do dia, quando já tudo parecia concluído, o inesperado seduz com sua perigosa magia de sombras na visão quase adormecida, as horas nunca terminam, e o desejo nunca acaba, alguns orgasmos não são suficientes, não existe satisfação na madrugada obscura, nada existe quando nos atiramos no vazio, nem o eco do grito, nenhum sexto sentido para nos avisar do perigo. quando a noite acaba, o sol devora tudo, calmamente e sem piedade. é preciso acender as cores desta cidade nublada.



ERA ÓTICA
DO QUE EM MIM É PELE
ERA LÓGICA
DO MEMBRO QUE CRESCE
APONTANDO O CÉU
NA SEDE DO MEL
QUE SE DERRAMA
E SE BANHA
EM LÍQUIDO CELESTIAL
ERA A ÓTICA
DO QUE EM MIM É CARNE
ADERENTE A TODAS AS PARTES
QUE SE ESPALHA
E GRUDA
E APANHA NA CARA
ERA A ÓTICA
DO ILÓGICO QUE EXPLODE
ERÓTICO RELÓGIO
SEMPRE A DESPERTAR
GRITANDO ME FODE

DJ GEAN Q...QUEBRANDO TUDO NA FOSFOBOX

MINHAS BATERIAS ESTÃO LIGADAS NO AMPLIFICADOR

MEUS DENTES ESTÃO RANGENDO FEITO UM MOTOR

MEU CORPO SACODE FEITO UM LIQUIDIFICADOR

DJ...QUEBRA TUDO POR FAVOR


Friday, July 18, 2008

em que direção o sonho aponta?
onde foi parar o caminho?
a margem da sola do pé
o topo do pico da mente
tudo é beleza e caos
tudo é sonho sem direção
barco á deriva
o sol desenha a estrada no mar
explode no meio dos olhos
luz que acende as cores adormecidas
música celestial no círculo de fogo
brotando de dentro do peito
as ondas embalando o ritmo da vida
suavidade e fúria
perfeição e delírio
fluxo e equilíbrio
tudo vibrando por dentro da pele
essências do grito primordial
a verdade oculta
que estava incrustrada nas cavernas da insanidade
agora se dissolve diante do despertar da consciência
puxar o freio
dar a volta
acender o olhar
dissolver o lixo
plantar sementes nos jardins da pureza
sentar no alto das pedras
e balançar as pernas no ar
deixar o sol entrar pela garganta
deixar o ser voltar a respirar
dá-me luz...dá-me cor...dá-me asas...dá-me ar
vamos respirar!!
g.q.......arpoador